Publicidade infantil online: quando o marketing vira risco para a infância

Crianças são impactadas diariamente por publicidade disfarçada nas redes sociais. Entenda os riscos, a legislação e como pais e responsáveis podem proteger seus filhos.

A internet se tornou o maior “parque de diversões” da infância — e também o mais perigoso

Vídeos engraçados, desafios, tutoriais, unboxings, jogos, filtros e personagens digitais. Para as crianças, navegar na internet parece inocente, divertido e sem consequências.

Mas por trás de muitos conteúdos existe um risco silencioso: a publicidade infantil disfarçada.
Influenciadores mirins, perfis de celebridades, marcas e plataformas têm explorado estratégias que atingem diretamente crianças e adolescentes, sem que eles — e muitas vezes, nem seus próprios pais — percebam que estão sendo alvos comerciais.

Essa prática, apesar de comum, é ilegal no Brasil e tem consequências sérias para o desenvolvimento emocional e financeiro das famílias.

O tamanho do problema

  • Segundo o Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), 88% das crianças e adolescentes entre 9 e 17 anos têm perfis ativos nas redes sociais.
  • Estudo do Instituto Alana revelou que crianças são expostas a mais de 300 estímulos publicitários por dia nas plataformas digitais.
  • Pesquisa da Unicef (2024) mostrou que 75% das crianças não conseguem diferenciar conteúdo orgânico de conteúdo patrocinado.
  • No Brasil, a publicidade infantil é considerada abusiva e proibida, segundo o Código de Defesa do Consumidor e o ECA.

– Ou seja: crianças estão sendo influenciadas a consumir o que não precisam, sem entender que estão sendo manipuladas.

Por que isso é tão grave?

Crianças não têm maturidade cognitiva para entender que:

  • vídeos de “favoritos do mês” podem ser propaganda;
  • influenciadores mirins ganham dinheiro para indicar brinquedos, roupas ou jogos;
  • mensagens subliminares usam emoções para gerar desejo;
  • plataformas coletam dados pessoais para direcionar anúncios.

Essa exposição causa:

  • pressão de consumo, gerando conflitos familiares;
  • ansiedade, frustração e baixa autoestima, ao comparar vidas irreais;
  • vulnerabilidade emocional, tornando-as presas fáceis para golpistas e pedófilos;
  • endividamento familiar, por pedidos insistentes ou compras não autorizadas.

“Criança não é público-alvo. Criança é sujeito de direitos.” — Instituto Alana

O que a lei diz sobre publicidade infantil?

A legislação brasileira proíbe publicidade direcionada à criança:

ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente
Código de Defesa do Consumidor
Resoluções do Conanda
Marco Civil da Internet

Isso inclui:

  • uso de personagens, influenciadores mirins ou linguagem infantil para vender produtos;
  • unboxing de brinquedos com apelo comercial;
  • vídeos que estimulam compra por impulso;
  • anúncios que exploram vulnerabilidades emocionais.

Mesmo assim, a fiscalização no ambiente digital ainda é frágil — e as plataformas têm sido cobradas em vários países.

E o papel dos pais e responsáveis?

Pais não podem competir com algoritmos.
Mas podem — e precisam — proteger, orientar e acompanhar.

Aqui estão passos essenciais:

✔ 1. Esteja presente

Assista aos conteúdos junto com as crianças.
Pergunte quem são os influenciadores favoritos, o que eles vendem, o que dizem, o que prometem.

✔ 2. Ensine sobre publicidade

Explique que nem tudo o que aparece é verdadeiro.
Mostre que influenciadores são pagos para recomendar produtos.

✔ 3. Configure controles parentais

Ative modo infantil nos apps, restrinja compras e proteja dados.

✔ 4. Estabeleça tempo de uso

Equilíbrio é essencial. Quanto mais tempo online, maior o impacto dos algoritmos.

✔ 5. Converse sobre autoestima

Mostre que não é preciso ter o que todos mostram na internet para ser feliz.

O que o pode público pode fazer?

Tenho defendido em minhas palestras e audiências públicas que:

  • A infância precisa ser protegida também no ambiente digital;
  • As plataformas devem ser responsabilizadas quando violam direitos;
  • A legislação precisa acompanhar a velocidade da tecnologia;
  • Famílias precisam de suporte para educação digital e orientação parental.

Quem educa a sua criança? Você ou o algoritmo?

Vivemos uma era em que a publicidade deixou de estar apenas nos intervalos comerciais — agora ela está nos vídeos que nossos filhos assistem, nas músicas que escutam, nos jogos que jogam e até nos influencers que seguem.

-Você sabe quais propagandas seu filho está consumindo?
-A internet tem servido para educar ou explorar sua criança?
-Quem está moldando os desejos, valores e comportamentos da próxima geração?

Proteger começa com perguntar — e agir.

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