O uso da inteligência artificial para criar imagens falsas de crianças preocupa autoridades. Saiba como funcionam os deepfakes e o que podemos fazer para proteger a infância.
Quando a tecnologia ultrapassa os limites da ética
A inteligência artificial já faz parte da nossa rotina — está nos filtros das redes sociais, nas assistentes virtuais e até em programas educativos. Mas, junto dos avanços, surgem ameaças invisíveis e perigosas.
Um dos exemplos mais alarmantes são os deepfakes, vídeos ou imagens manipulados digitalmente que parecem reais, mas foram inteiramente criados por algoritmos. E o que começou como ferramenta de entretenimento, rapidamente se tornou arma para criminosos virtuais — inclusive contra crianças e adolescentes.
Sim: hoje, a tecnologia é capaz de gerar conteúdos abusivos falsos com rostos de crianças reais, sem que elas saibam. Um crime cruel, difícil de rastrear e que está crescendo em todo o mundo.
Os números que assustam
- A SaferNet Brasil (2025) alertou que 64% das denúncias recebidas no país estão relacionadas a abuso e exploração sexual infantil online.
- O Brasil é o 5º país do mundo com mais denúncias de abuso infantil digital, segundo relatório da InHope, rede internacional de combate a crimes online.
- O Fórum Brasileiro de Segurança Pública (2024) apontou aumento de 30% nas denúncias de crimes digitais envolvendo menores.
- A Europol já classifica os deepfakes como uma das principais ameaças globais à segurança digital infantil.
Esses dados mostram que a tecnologia vem sendo usada para criar, disseminar e perpetuar a violência, muitas vezes de forma quase impossível de ser detectada.
O impacto psicológico e social
As consequências para as vítimas são devastadoras. Mesmo quando o conteúdo é falso, o dano emocional é real.
Muitos jovens têm suas imagens manipuladas em montagens indevidas e sofrem humilhações, bullying, depressão e ansiedade.
O psicólogo infantil Daniel Becker, da UFRJ, explica:
“Quando a imagem de uma criança é usada indevidamente, ela perde algo essencial — o controle sobre a própria identidade.”
Além disso, as famílias vivem um misto de vergonha e impotência, já que o conteúdo digital, uma vez publicado, nunca desaparece totalmente da internet.
O que pode ser feito para proteger nossas crianças
A luta contra o uso criminoso da inteligência artificial exige ação coordenada entre famílias, Estado e plataformas digitais.
✔ Educação digital nas escolas: ensinar crianças e adolescentes a reconhecer manipulações e se proteger.
✔ Fiscalização das big techs: cobrar responsabilidade e filtros para impedir a circulação de conteúdos falsos e abusivos.
✔ Aperfeiçoamento das leis: a legislação brasileira ainda não acompanha o ritmo das inovações tecnológicas.
✔ Campanhas de conscientização: informar pais, professores e líderes comunitários sobre os riscos e canais de denúncia.
✔ Rede de apoio psicológico e jurídico: garantir acolhimento às famílias afetadas por crimes digitais.
“A tecnologia deve servir à humanidade — e não o contrário.” — Sargento Tânia Guerreiro
Denunciar é proteger
Se você encontrar qualquer conteúdo suspeito envolvendo crianças, não compartilhe.
Denuncie imediatamente:
- Disque 100 – Canal Nacional de Direitos Humanos
- SaferNet Brasil – Denúncia anônima: new.safernet.org.br/denuncie
- Delegacia de Crimes Cibernéticos (DEPATRI/PR)
Cada denúncia pode impedir que uma criança seja exposta, revitimizada ou explorada.
Reflita
A inovação é poderosa — mas, sem ética, se torna perigosa.
Não podemos permitir que a infância vire vítima do avanço sem consciência.
-Quantas infâncias serão feridas até entendermos que a proteção digital também é uma forma de amor?
-O que estamos fazendo, como sociedade, para impedir que a tecnologia ultrapasse o limite da dignidade humana?
